O Mais Belos dos Roteiros Criados Pela Natureza

Nós, os seres-humanos somos caracterizados por sermos reclamões. Simplesmente porque não resistimos deixar de reclamar sobre nossas vidas, sobre os problemas que nós mesmos criamos, não cansando de bradar aos quatro ventos o quão nossa vida é difícil, tortuosa, dura... Mas se parássemos para olhar ao nosso redor, mas precisamente para o Polo Sul (sim, o Polo Sul!), nos depararíamos com a dura, porém, incrível vida dos pinguins.


Os pinguins são aves existentes no Hemisfério Sul, pertencentes a família Spheniscidae. Possuem asas, mas não podem voar, são ótimos nadadores, chegando a atingir 45 km debaixo das águas. Sobrevivem em condições extremas, enfrentando terríveis tempestades de gelo, e uma temperatura de -40º C.


No ano de 2005, o biólogo e cineasta francês Luc Jacquet filmou durante um ano a vida dos pinguins. O filme em formato de documentário é um emocionante relato de imagens sobre a vida destes animais que vivem em constante luta pela preservação da espécie.


“A Marcha dos Pinguins” é um longa que retrata detalhadamente a jornada que milhares de pinguins fazem todo mês de março durante vinte dias e vinte noites. Em busca do par perfeito, são levados pelo instinto pela busca da reprodução. Estas aves viajam enfrentando bravamente as condições extremas de sobrevivência: animais ferozes, ventos congelantes, águas frias e a própria fome.


O longa também exibe a inversão de papéis, quando os pinguins machos tem a responsabilidade de cuidar dos ovos, enquanto os pinguins fêmeas são encarregados de buscar comida nas congelantes águas do oceano, dentro de um período de 48 horas.


O retorno das fêmeas dá a largada para a marcha dos pinguins machos em busca de comida, chamada de “marcha dos famintos”. A vida em tais condições, são dependentes de vários fatores, e se algo der errado, a morte é certeira.


O filme-documentário na versão brasileira é narrado por Patrícia Pillar e Antônio Fagundes. Com trilha sonora de Emilie Simon, o longa nos leva a um mundo gelado e maravilhoso, onde sobreviver é primordial para a continuação da espécie.


Depois de assisti-lo, certamente seremos seres-humanos menos reclamões, e passaremos a enxergar de um outro modo a vida dos pinguins, sua incrível viajem, e a emocionante marcha pela sobrevivência de seus filhotes e de si mesmos.

Em Águas Irlandesas

E se você fosse um pescador irlandês, e no meio de seu trabalho, uma linda mulher fosse literalmente pescada por suas redes, o que você faria? Poizé, Syracuse (Colin Farrell) tem de lidar com tal acontecimento. Em uma de suas pescarias, ele conhece Ondine (Alicja Bachleda), uma bonita e misteriosa mulher que cai em suas redes. Rapidamente, Syracuse se vê apaixonado pela bela moça encontrada nos mares. Sua filha Anne (Alison Barry) passa a acreditar que Ondine é uma criatura mágica, vinda do oceano, uma selkie (criatura da mitologia irlandesa semelhante a uma sereia), e com o passar do tempo, Syracuse, também começa a acreditar na teoria de sua filha.

“Ondine” é uma história de amor e de esperança, um conto de fadas moderno, onde belíssimas paisagens irlandesas servem de plano de fundo para esta história, cheia de mistérios, escuridão e magia.

O longa foi escrito e dirigido pelo aclamado Neil Jordan, e fotografado por Christopher Doyle, e ainda conta com músicas da banda Islandesa Sigur Ros, que eu particularmente adoro.

Confesso que o motivo pelo qual me interessei pelo filme foi o nome de Farrell no elenco, mas no decorrer da história, a trilha sonora, o roteiro, as paisagens, as atuações, a fotografia e o clima dramático me fizeram apaixonar pelo filme.
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Um longa mágico, do ínicio ao fim. Vale a pena assistir!

Pequena Nota Sobre o Amor



Ela: Você me ama?

Ele: Sim, amo.

Ela: Qual sua explicação para me amar?

Ele (pensativo): Acho que sua forma de pensar, sua personalidade, sua beleza, seus cabelos compridos e algumas outras coisas. Por quê?



Silêncio. Não há resposta.














Momentos depois Ela levanta-se, deixando-o só na calçada. Sabia que não mais voltaria, pois acreditava que para o verdadeiro amor não havia explicação.

Atingindo os Dezoito


No último dia 1º completei dezoito anos. Confesso que sempre tive medo dessa idade, e o que parecia ser uma data tão longíqua, chegou com uma rapidez incrível. Neste dia (1 de julho) muitas amigas e amigos vieram me perguntar qual é a sensação de estar completando os famosos dezoitinhos, e finalmente estar atingindo a maioridade. A grande maioria me perguntara, porque sou uma das mais velhas do meu círculo de amizades, e da minha sala também, não porque repeti de ano, mas porque quando ingressei na escola não pude entrar logo no prezinho, tendo que passar primeiro pelo jardim II, por fazer aniversário no meio do ano. Quando ouvia tais perguntas, fiquei confusa, pois antes imaginava que quando atingisse a maioridade, estaria mais madura, mais séria, mais experiente, ou seja, pensei que seria uma adulta de verdade, como num passe de mágica, mas nada ocorreu. Dormi e acordei da mesma forma, e não senti nenhuma mudança brusca, nem nada do tipo. Sou a mesma pessoa dos dezessete, dos dezesseis, dos quinze, dos quatorze até, sou a mesma e ponto. Para mim nada mudou, contudo, eu sei que muita coisa em mim foi mudando, mudando, mudando, tão gradativamente que eu sequer pude perceber. Por isso, quando me perguntaram como eu me sentia com dezoito anos, eu não soube o que responder, apenas disse que me sentia normal, a mesma pessoa, e que ter dezoito me assustava, pois eu não me sentia como uma adulta como eu imaginava ser uma pessoa ao atingir os dezoito anos de idade.

Mesmo aos dezoito, meus gostos são os mesmos, minha paixão por gatos é a mesma, meus filmes favoritos e livros também são os mesmos. Acredito que eu estou sendo preparada para os dezoito há muito tempo, e por isso não senti uma mudança brusca. Ninguém muda bruscamente, assim de uma hora para outra, num passe de mágica onde é só tocar a varinha de condão e "pluft" ocorre a mudança. Ninguém muda ao fazer aniversário. Apesar de não perceber, sei que vivo em constante processo de metamorfose, e que minhas ideias são semelhantes, mas não são as mesmas de quando eu tinha quatorze ou quinze anos. Estou mais madura, apesar de não me sentir assim. A vida é uma escola, e eu estou em eterno processo de alfabetização, nunca conseguirei traçar um enredo, mas posso ao menos, escolher o tema de cada parágrafo, seu desenrolar já é outra história... Ter dezoito anos é simples, é uma nova translação ao sol, uma nova primavera, um ano a mais para responder quando perguntarem sua idade. Ter dezoito anos não é acordar e ver estrelinhas no teto, não é sentir-se uma borboleta livre só porque você já responde por suas ações, não... Contudo, dia primeiro de julho foi mágico, não por ter atingido a maioridade, mas pelas pessoas que estiveram comigo nesta data, e por isso foi incrível, e eu agradeço por ter atingido meus não esperados, mas muito bem-vindos dezoito anos.

Um Sorriso em Meio à Destruição


As bombas caíam, atingiam o chão, destroçavam o asfalto, as moradias, as antigas construções, os rostos espantados, os olhares assombrados, as almas.


De todos aqueles humanos assombrados, que corriam e que se escondiam nos porões, havia uma garotinha. Seus olhos sibilavam, seus cabelos arredios, sua boca pensa num sorriso sincero. Sua figura pendida no meio da destruída rua, contrastava com todo o cenário ao seu redor. Enquanto pendia ali, seu pescoço se voltava para trás, seus bracinhos seguravam uma velha boneca de pano surrado, que a mãe fizera questão de costurar, quando a menina não pudera mais deixar as dependências de sua casa.


Ficou a olhar para o céu, por intermináveis momentos. Os sons se intensificavam, sons de guerra e de destruição. Assim como os sons, os cheiros também se intensificavam. Cheiro de morte, cheiro de vida aguda e estridente, cheiro de pólvora, de terra, de sangue. Ainda sorria. Seus dentes brancos, abertos, como um último fio de esperança para aquelas terras sangrentas e desesperançosas. Usava um vestido de pano, também fabricado por sua mãe, anos antes, pouco depois do início das bombas, dos cristais quebrados, das crianças sendo arrastadas por entre os cacos, por entre a chuva fria, e o céu estrelado.


Um rapaz alto de olhos claros passou pela menina. Carregava uma arma nas mãos, e usava um capacete, que a menina imaginou como sendo um chapéu. O homem se deteve por um instante, fitou a garotinha de vestido; a menina vendo-o sorriu timidamente, seus olhos brilhavam de contentamento, enquanto as bombas continuavam a iluminar o céu. O rapaz que possuía um ferimento profundo no braço esquerdo, se aproximou da pequena, e abaixou-se. Fitou sua arma e o rosto angelical da criança. Abaixou as faces sujas de terra e sangue, e passou levemente as mãos nos cabelos empoeirados da menina.


"Onde está sua mãe?" - perguntou, sua voz não passava de um fiapo rouco, de um suspiro abafado, de uma dor.


A menina balançou a cabeça em negativa. Não sabia onde estava sua mãe, nem onde estavam todos aqueles que ela amava, mas isso não importava agora, não para ela. Eles deviam estar em casa, tomando algum caldo com os ingredientes que seu irmão mais velho encontrava pela cidade, e que cada vez eram mais escassos de encontrar.


O soldado então, sorriu para a garota, um sorriso triste e imaculado, a garota retribuiu, num sorriso que marcaria para sempre sua vida, durante os anos que viriam, até sua morte, quando ele puxaria um gatilho, não nas centenas de soldados alemães que matara, mas em si próprio, encerrando assim com sua vida. O sorriso esperançoso e inocente daquela criança, permaneceria ali para sempre, em sua memória.


Num gesto rápido, o soldado russo, levantou-se e pôs-se a correr, buscando salvar-se dos tiros, das bombas, das atrocidades, dos desesperos. Levou consigo como conforto a imagem da garota, e seus olhos negros e sibilantes. Sem perceber, uma lágrima escorreu de seus olhos, marcando sua face, em meio ao pó que havia em si.


Ainda parada no mesmo lugar em que estava, a criança continuou olhando para cima, enquanto fantasmas assombrosos, sangrando, e gritando, caminhavam, cortando o ar. Uma mulher caiu perto da garota, e vendo-a, num último suspiro, imaginou estar nas dependências imaculadas, na casa divina que imaginava ser o céu. Vendo o sorriso brilhante e a esperança de vida que a menina carregava em si, morreu tranquilamente, com a certeza de que veria seu pequeno, nos próximos instantes.


Um som estridente cortou o local. Homens, mulheres e crianças caíram, todos mortos. A bomba fez uma curva no céu escuro, para depois estourar próximo da garota.


O soldado russo que caminhava lentamente pelas proximidades ao ouvir o som da destruição, retornou, correndo, desesperado. Procurou por toda a parte a garotinha, parada a olhar para o céu, mas não a encontrou. Seus joelhos fraquejaram e ele então ajoelhou-se no chão de cacos, e ao fitar o chão, avistou o vestido colorido da menina. Mais que depressa, o soldado correu, em sua direção, e ao agachar-se perto dela, percebeu que sua alma não estava mais ali, que o vento fizera questão de levar. Ela estava morta, os olhinhos fechados, as mãozinhas ainda quentes segurando a boneca de pano. Estava a dormir com a eternidade. Ele chorou, enquanto seu grito mudo se propagava com o vento. Levantou-se, e carregou o corpo da menina pelos próximos quilômetros, enquanto deixava toda a dor e destruição para trás. Depositou seu corpinho juntamente com sua boneca, perto de uma única árvore, que ostentava-se cinzenta em meio à destruição.


Lentamente ele seguiu seu caminho, imaginando o motivo pelo qual a garotinha sorria docemente em meio à tanta destruição e dor. Ele se questionou durante toda a vida, mas nunca obteve a resposta. O soldado russo, jamais pôde saber que a garotinha dos cabelos empoeirados, do olhar brilhante e do vestido colorido sorria, pois para ela, as luzes destrutivas que cortavam o céu eram fogos de artifício. E para aquela criança, parada na rua de Berlim, em 1945, aquelas bombas seriam para sempre fogos de artifício.

Espírito Copalino


É incrível como o brasileiro tem uma profunda admiração por futebol, admiração ou fanatismo, pode chamar este espírito súbito nacionalista do que quiser, sinta-se a vontade. Mas, vamos prosseguir no assunto: brasileiro possui um mais alto grau de espírito copalino. (Copalino, provém de Copa do Mundo, ou do latim de Natal, com natalino, junta-se com o grego, resulta em Copalino, e blá blá blá). Sem filosofias baratas, ou ortografias gregas, vamos direto ao ponto: Brasileiro só é brasileiro na Copa do Mundo, e tenho dito. É na Copa que todo mundo quer cantar o hino, que todo mundo veste camisas da cor da bandeira, e até desenterram aquela bandeirinha mofada no fundo da gaveta que usou na Copa de quatro anos atrás.


Pude comprovar isto depois da escola, voltando para casa, quando me deparei com umas 4324234 pessoas trajadas especialmente para assistir o Mundial. Todos muito verdinhos e amarelinhos, ostentando um "Brasil" em letras garrafais no peito, com direito até a orgulho de ter nascido em terras tupiniquins. É nessa hora que brasileiro canta que é brasileiro com muito orgulho e com muito amor.


Se tudo isso ocorre antes da partida, como uma preparação para o jogo propriamente dito, no início da partida a situação "piora", e piora elevando-se ao cubo. Primeiramente vem os infernais fogos, que são verdadeiras poluições sonoras, e que ainda não descobri para que servem. Depois, surgem as buzinas, e agora as chamadas "vuvuzelas" que já viraram símbolo da Copa da África do Sul. Além de todos estes fatores, quando é jogo da seleção canarinha, comércio não abre. Trabalhadores voltam para casa, e se o patrão não dispensar, é briga, na certa, com direito a processo jurídico e tudo. É obrigação assistir ao jogo. Fico imaginando se um cidadão por infelicidade infarta vendo o Brasil jogar, como é que fica? Morre, na certa. Porque duvido até que o hospital funcione em dias de jogo.


"Tem gente infartando? Porra. Já falei Margareth que só é pra me chamar em caso de urgência, não tá vendo que eu to aqui assistindo a Copa?" - diz o médico irritado.


É meus caros, Brasil é assim, Carnaval e Copa do Mundo, o país pára, sofre um dramático pause, e só volta a funcionar dez dias depois que termina um desses dois acontecimentos, quando alguém resolve apertar o play.


Nacionalismo? Só em dias de Copa. Brasileiro usa jeans, come no McDonald's, ouve Black Eye Peas, e toma Coca Cola, mas o patriotismo está no sangue no Mundial, só no Mundial, não se esqueçam. Depois de dez dias do fim da Copa do Mundo, brasileiro volta a sua vida normal, esconde sua camiseta verde e amarela, guarda a bandeirinha meio rasgada, vota em branco nas eleições, acata os políticos de direita, adota o conformismo como meio de vida, e joga o nacionalismo fora, na primeira lata de lixo que encontrar.


Uma pequena nota:


A autora do post vestiu camisa verde e amarela, assistiu ao jogo, chorou ao ouvir o hino nacional, e torceu loucamente pelo Brasil, se contentando com uma vitória de 2 x 1 em cima da Coréia do Norte. Porra, ela também é brasileira, e segue a regra com afinco e espírito copalino.



Adentrando o Universo Masculino

Rob é um cara que vive em Londres, tem trinta e cinco anos e ama música pop. Primordialmente é isso o que todos nós devemos saber sobre ele: ele ama música pop. Música está em sua essência, em suas estantes, em sua mente. Rob é tão apaixonado por música, que largou a faculdade para viver dela. Ele vende música, no sentido literal da palavra. Rob Flemming é dono de uma loja de discos.
Além da música, o londrino tem outra, digamos, mania: fazer lista das 5 melhores ou piores coisas de todos os tempos (ex: lista das melhores músicas do lado B do disco de Johnny Cash, lista dos melhores livros, etc). Rob ama listas, e aprendeu a fazê-las com seus dois amigos: Dick e Barry, que trabalham em sua modesta loja de vinyl, frequentada por uns poucos, porém assíduos, clientes.


Tanto Rob, como Dick ou Barry, são personagens da obra-prima de Nick Hornby: Alta Fidelidade, livro este que retrata as neuras, as dúvidas, as angústias, as inseguranças, o medo do compromisso e as encanações sobre sexo, além de conter vários outros tópicos do universo masculino. Mas, se engana quem pensa que é só um livro para machos. O livro agrada mocinhos e moçoilas, e te faz viajar por entre prateleiras de discos, por entre os bares de Londres, e pela vida do encantador Flemming, que logo de início recebe um pé na bunda de sua namorada Laura. Contudo, Rob não permite que esta separação seja em vão: corre para fazer uma lista de suas cinco piores separações de todos os tempos, lista esta que podemos conferir logo na primeira página do romance.


Neste universo masculino, de cigarros, música alta e amores, Rob se sente na "obrigação" de reviver seu passado, se quiser reconquistar sua amada Laura. E é nesta jornada que Hornby nos leva, fazendo-nos adentrar pelos pensamentos de Flemming, em suas loucuras e neuras, enquanto caminhamos e curtimos um som, em sua decadente loja de vinys londrina.

O romance também foi parar nas telonas, e vale a pena ser conferido. John Cusack está na pele de Rob e Jack Black dá vida ao rabugento Barry. O longa também conta com a atuação de Catherine Zeta-Jones, que vive Charlie Nicholson, ex-namorada de Rob.

Alta Fidelidade é para todos aqueles que essencialmente amam música, e que principalmente apreciam um bom livro.